Análise da conjuntura macroeconômica – Julho 2021

Núcleo Técnico de de Macroeconomia – CJE FGV, com apoio do professor Rogério Mori

Atividade Econômica

Os indicadores da Sondagem Industrial, pesquisa realizada pela CNI, apontam um desempenho, em sua maioria, positivo para a Indústria. A capacidade instalada é a maior para o mês desde 2014 e os estoques apresentam estabilidade e se mantém próximos aos planejados pelas empresas.

Por sua vez, as sondagens realizadas pelo FGV-IBRE, isto é, de serviços indústria, construção e consumidor, indicam, de forma geral, melhoria na confiança em relação à situação atual e em relação às expectativas. Isso se dá, principalmente, pela aceleração no ritmo de vacinação do Brasil e pelas surpresas positivas no crescimento da economia brasileira.

Contas Externas

No mês de maio de 2021, o superávit das transações correntes surpreendeu e atingiu U$ 3,840 bilhões, ante o déficit de U$ 519 milhões na comparação anual. O resultado se deu como o maior superávit do mês de maio para toda série histórica, que foi iniciada em 1995. Além disso, é o segundo melhor resultado considerando todos os meses, ficando apenas atrás do superávit de US$ 5,663 bilhões em abril de 2021. Uma das principais causas foi o crescimento das exportações e importações no mês. O BC, como pode ser visto no Relatório trimestral de inflação, acredita que os principais fundamentos para o cenário benéfico das transações concorrentes são: preços das commodities, restrições de viagens internacionais e taxa de câmbio. Considerando esses fatores, o BC calcula um superávit de US$ 3 bilhões da conta corrente para o acumulado de 2021.

Em contrapartida, o Investimento Direto no País (IDP) teve um desempenho pífio em maio de 2021. O ingresso líquido foi de US$ 1,229 bilhão, ante US$ 3,080 bilhões do mesmo mês em 2020. Este resultado é o pior para o mês desde 2007, quando atingiu a marca de ingressos líquidos inferiores a 1 bilhão (cerca de US$ 700 milhões). No relatório trimestral de inflação, o BC acredita em um ingresso de US$ 60 para o IDP de 2021.

Economia Internacional

Mais uma vez tratando sobre a questão inflacionária americana, os economistas têm previsto uma alta inflacionária de 3,6% nos salários, tendo em vista também o CPI (Consumer Price Index) em alta de 3,9%. Em linha com isso, o otimismo econômico no país, devido ao eficiente e rápido processo de vacinação retomando a economia, tem sido refletido na expectativa do PIB em 10% para este ano, se mantendo em patamares acima do período pré-pandêmico. Esta retomada se mostra palpável ao analisarmos o número de vagas de emprego criadas de maio a junho em 692 mil e o número de pedidos de seguro-desemprego na última semana, de 364 mil.

O ICC, isto é, Índice de Confiança do Consumidor da Zona do Euro, subiu para -3,3 pontos em junho de 2021, após marcar negativos 5,1 em maio deste ano. O IPC, isto é, Índice de Preços ao Consumidor subiu 2,3% na Alemanha, puxados pela alta da energia – que ocorre em diversas regiões do mundo -, de 9,4% e de alimentos, com alta de 1,2%. Além disso, no Reino Unido, o setor público registrou um déficit nominal de 24,3 bilhões de libras em maio, quase 20 bilhões de libras a menos quando comparado a maio de 2020, se consolidando como o segundo maior nível para o mês de maior já registrado desde 1993.

Contas Públicas

Os resultados recém-divulgados do Tesouro Nacional demonstram a saúde das contas públicas no mês de maio/2021. O resultado primário do período foi deficitário em R$20,9 bilhões frente a um resultado deficitário de R$126,6 bilhões para o mesmo período de 2020.

O acumulado do ano demonstra, ademais, um superávit primário de R$19,9 bilhões. Este resultado é explicado pelo efeito conjunto de um aumento na receita líquida em R$133,6 bilhões – crescimento de 26,9% em termos reais – concomitante à um decréscimo de R$ 127,2 bilhões – decréscimo de 17,3% em termos reais – na despesa total quando comparados ao mesmo período de 2020.

O resultado demonstra a melhora econômica que se deu no último ano com a mitigação da crise do COVID-19. Apesar disso, o déficit registrado no mês representa a fragilidade das contas públicas, que no último ano teve resultados aquém do esperado.

Inflação

Após uma série de altas, o IGP-M finalmente demonstrou uma queda no mês de julho, desacelerando para apenas 0,60 pontos percentuais no mês, graças à estabilização do preços de commodities e da valorização do câmbio. Diferente do IGP-M, porém seguindo nossas hipóteses, o IPCA-15 fechou o mês de junho com uma aceleração de 0,83%. No ano, o índice acumula alta de 4,13% e em 12 meses, 8,13%. Os principais culpados pela alta são a energia elétrica e, mais uma vez, a gasolina.

Política

Na última sexta-feira, dia 25/07, a proposta da Reforma Tributária foi protocolada no sistema da Câmara, sendo aceita pelo presidente Arthur Lira (PP-AL) para deliberação em plenário. Tendo como relator o deputado Celso Sabino (PSDB-PA), a reforma trouxe alguns pontos polêmicos, sendo acusada de “trair o liberalismo” defendido pelo governo Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes. Dentre eles, tem-se uma polêmica medida de tributação de dividendos, que está para vigorar numa taxa de 20%. Neste cenário, Sabino tem entrado em conversas com líderes de partidos para reavaliar os números e discutir uma reconfiguração dos números. Em linha com esta visão, Lira defende uma redução para 15%, conversando com empresários de vários setores para entrar em acordo sobre uma taxa de equilíbrio.

Ainda, o contexto político foi marcado nesta semana pelas tensões provocadas por uma suposta ilegalidade na compra de vacinas. Isso aconteceu na compra do imunizante indiano Covaxin, depois que os irmãos Miranda disseram que sofreram uma pressão “atípica” para viabilizar a importação de vacinas que até então não havia sido aprovada pela Anvisa, o que poderia, dentre outros fatores como valor por doses, mostrar um favorecimento à empresa Precisa Medicamentos. Além disso, há outra suspeita na compra de vacinas da Astrazeneca, em que o diretor de logística Roberto Ferreira Dias havia pedido propina para fechar o contrato. A partir das acusações, a Procuradoria Geral da República abriu um inquérito para investigar se o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime prevaricação ou não, o que gera uma instabilidade política.

Autores: Adriane Fucs, Beatriz Fadoa, Diego Rotella, Gabriel Chefaly, Gabriel Montano, Gabriela Pinheiro, Giulia Moraes, Lucas Silva, Rafael Gomes, Sophia Verlangieri e Valentina Armelin.

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